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Mulheres que Transformam a Tributação reúne especialistas para discutir transformação do sistema tributário

A Afresp, em parceria com o Women in Tax Brazil (WIT), realizou nesta quinta-feira (20), na sede da Associação, em São Paulo, o evento “Mulheres que Transformam a Tributação”. O encontro reuniu profissionais da administração tributária, advocacia e setor privado para discutir temas como devedor contumaz, Reforma Tributária, inteligência artificial, conformidade fiscal e liderança feminina.

Na abertura, a presidente da Afresp, Mônica Paim, destacou a importância do diálogo entre os diferentes atores do sistema tributário. “Embora possamos atuar sob óticas distintas, os contribuintes e o Fisco, acredito que essa integração é essencial. A Reforma Tributária não se concretizará apenas pela sua promulgação legal. Seu sucesso dependerá do esforço conjunto de todos nós”, afirmou.

Mônica também ressaltou o significado de a Afresp sediar um encontro dedicado ao protagonismo feminino e defendeu que a iniciativa seja o início de uma aproximação permanente entre profissionais dos diferentes segmentos da área tributária.

Fernanda Ramos, cofundadora do WIT, destacou a importância da parceria para ampliar a participação feminina em espaços de liderança. “Essa parceria vem desse movimento de trazer eventos e iniciativas que contribuam para que as mulheres tenham espaço de fala, estejam em lugares de liderança e de tomada de decisão, ou que, ao menos, tenham referências femininas para que se sintam representadas”, afirmou.

Fernanda também apresentou a trajetória do Women in Tax Brazil, criado em 2019. “A WIT nasceu como um dos primeiros movimentos feministas formados por mulheres tributaristas”, explicou.

Devedor contumaz: equilíbrio entre combate à fraude e segurança jurídica

O primeiro painel debateu a Lei Complementar nº 225/2026 e os desafios de diferenciar inadimplência ocasional de práticas estruturadas de fraude, sob as perspectivas tributária, empresarial, administrativa e criminal.

Tathiane Piscitelli destacou a evolução do tema nos tribunais e a necessidade de parâmetros nacionais. “Essa discussão começa, ou pelo menos é impulsionada, pela jurisprudência do STJ, em 2018. (…) Depois, esse tema vai para o STF, e temos uma profusão de legislações que gerou uma situação difícil”, explicou.

Raquel Preto ressaltou a importância de distinguir empresas em dificuldade de fraudadores. “O objetivo dessa lei era justamente separar o trigo do joio: trabalhar em cima daquilo que seria um fraudador, um mau contribuinte, e a empresa que é boa, que eventualmente pode ter tropeços”, afirmou.

Kênia Cunha apresentou a experiência da Sefaz-SP com o Programa Nos Conformes. “Nosso objetivo é conduzir a maior quantidade de contribuintes para a base dessa pirâmide. A gente quer achatar essa pirâmide, para que mais pessoas, mais empresas, fiquem na base da adimplência”, explicou.

Flávia Guimarães Leardini abordou os impactos no Direito Penal e defendeu cautela na responsabilização criminal. “O Direito Penal chega por último, para os últimos casos. É uma consequência muito grave”, destacou.

Inteligência artificial amplia capacidade de análise dos fiscos

O painel “IA e Administração Tributária”, mediado por Catarina Rodrigues, reuniu Sheyne Leal e Lilian Lima para discutir o uso da inteligência artificial nos fiscos.

Sheyne apresentou conceitos e aplicações da tecnologia. “Daqui a 15 minutos, vocês vão saber dizer para qualquer um o que é IA, até onde a IA vai, onde ela não vai e como ela funciona”, explicou.

Lilian destacou o potencial da tecnologia diante do grande volume de informações. “É como se a gente tivesse uma quantidade de dados que já passou de qualquer capacidade humana de análise manual”, afirmou.

Conformidade fiscal: diálogo e prevenção para reduzir conflitos

O painel “Conformidade Fiscal” reuniu Simone Terra, Zabetta Macarini Carmignani Gorissen e Danielle Fratini para discutir a aproximação entre Fisco e contribuintes.

Simone destacou os desafios da Reforma Tributária e o papel da tecnologia. “A apresentação do IBS e da CBS representa muito mais do que esses ajustes de layout e de documentos fiscais. É um marco da transparência, inovação e simplificação das obrigações acessórias”, afirmou.

Para Zabetta, a conformidade deve ir além do cumprimento formal das obrigações. “A conformidade hoje não é só pagar o tributo e entregar a obrigação acessória. Não é mais isso”, disse.

Danielle ressaltou a mudança cultural necessária na administração pública. “Quando a gente fala em conformidade fiscal, a gente fala numa mudança de cultura institucional”, afirmou.

Autoridade sem permissão: liderança feminina encerra programação

O último painel, “Autoridade sem Permissão: voz, negociação e estratégia para mulheres que transformam o Estado e a sociedade”, foi conduzido por Luciana Grillo e abordou liderança e ocupação de espaços de decisão.

“Esse evento aqui não é a regra. Ele é a exceção”, afirmou Luciana, ao destacar a importância da presença feminina. Ela também provocou as participantes a reconhecerem sua própria trajetória: “Aproprie-se da experiência que você acumulou, da pessoa que você é, do conhecimento que você construiu”.

Ao encerrar, reforçou o papel das mulheres na transformação dos espaços de poder: “A gente veio aqui para mudar o significado desse poder”.

A programação terminou com um happy hour de networking, criando espaço para a continuidade das conversas iniciadas ao longo do dia e reforçando a proposta de que o encontro seja o primeiro de uma série de iniciativas voltadas à troca de conhecimento, à integração institucional e ao fortalecimento da participação feminina na área tributária.

Confira o álbum completo de fotos neste link.

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