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Histórias que inspiram: como o AFRE Gerson Silva tem superado a deficiência física com a Afresp Esportes

Gerson Silva, 74 anos. Auditor aprovado na turma de 1986 e aposentado em 2012, é associado da Afresp há 38 anos. Depois de mais de sete décadas de vida, precisou reaprender a andar. Em dezembro de 2019, antes da pandemia de COVID, ele foi diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune rara que ataca parte do sistema nervoso responsável por levar os impulsos do cérebro ao restante do corpo.

Gerson ficou seis meses internado, dois deles na UTI, e passou mais dois anos em casa, praticamente acamado. O prognóstico inicial afirmava que, se ele sobrevivesse, ficaria acamado pelo resto da vida.

“Atualmente, eu tenho deficiência muscular na parte distal do meu corpo, que são as pontas (os pés e as mãos). A Guillain-Barré elimina os impulsos elétricos que vêm do cérebro para a coluna e depois são distribuídos para o corpo todo. O neurologista falou pra Marta, minha esposa, que, se eu não morresse, iria ficar acamado, deitado até o fim”, conta.

O casal sempre praticou esportes, suas melhores viagens foram para trilhas em lugares como Chapada Diamantina, Patagônia e Machu Picchu. Nas palavras dele, “viagem mais selvagem, não viagem de shopping”.

Eles também praticavam corrida e caminhada. Por isso, o susto da doença também parou um sonho: Gerson e Marta planejavam fazer o Caminho de Compostela, uma rota de peregrinação que termina na Catedral de Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha). A rota seria o caminho francês, que parte de Saint-Jean-Pied-de-Port, no sudoeste da França, e tem cerca de 780 km.

“Faríamos a viagem entre maio e junho de 2020, claro, planejamos isso bem antes da pandemia. Mas estávamos nos preparando fisicamente. A gente fazia academia, pilates e um treino caminhando 30 km todos os dias. Talvez isso tenha me ajudado a sobreviver na pior fase da doença, é o que todo mundo diz, porque eu tive quatro episódios de quase morte na UTI. Mas voltei! Então, a gente sempre gostou de atividade física, mas eu tive que parar por essa infelicidade. Foi um choque ficar parado, mas estou vivo!”

A virada no jogo

Sendo um homem de fé e contrariando o prognóstico inicial, Gerson não só sobreviveu, como tem passado por um processo de recuperação. Um processo demorado e que exige paciência e perseverança, mas que tem ensinado ao colega AFRE valores importantes.

“Eu saí do hospital quase no meio de 2020, no auge da pandemia. Éramos apenas eu e minha esposa em casa. Só recebia médicos, fora isso, não podia receber visita nem dos meus filhos. Foi um momento difícil, mas, na minha ânsia de querer melhorar e sobreviver, a gente conseguiu reverter isso. Fui fazendo fisioterapia, terapia ocupacional e mais um monte de coisa”, relata.

O associado conta que, apesar de ter pego uma variante forte da síndrome, o processo de recuperação tem trazido resultados: “Há cerca de dois anos, fui melhorando e me recuperando da atrofia muscular. Com muita reza, Deus ajudou, e tivemos muita solidariedade das pessoas. Um negócio bacana! A doença acabou. Essa doença é como uma gripe forte, ela fica um mês e vai embora. Se você não estiver na UTI, pode morrer. Mas depois, ela passa. Aí você tem que se recuperar do estrago dela.”

Hoje, ele faz exercícios constantes de recuperação muscular com auxílio de um preparador físico e já consegue ficar de pé — não só as pernas como todo o tronco tem sido fortalecido. Mas a deficiência distal ainda causa dificuldades de domínio das mãos e pés, o que já lhe causou quedas.

Agora, Gerson caminha com duas muletas — ou com uma muleta e o braço de sua esposa (que ele brinca afirmando ser sua “muleta humana”). Ambos participam das atividades da Afresp Esportes, incluindo a Caminhada da Fé, percurso que compreendeu três encontros, percorrendo um trecho de quase 100 km, partindo de Consolação (MG) até a Basílica de Aparecida (SP).

“Na Caminhada da Fé, meu maior percurso foi no carro de apoio. Quando o trecho é plano, eu ando mais fácil, mas ainda com dificuldade. Quando é íngreme, é complicado, eu não consigo direito. Aí eu vou no veículo de apoio. Mas a caminhada me ajuda muito, porque eu tenho que aprender a andar direito, ter um equilíbrio que eu não tenho ainda. Isso me ajuda a melhorar, a chegar ao meu melhor estágio.”

A Afresp Esportes

Apesar das limitações à atividade esportiva, pelo processo de recuperação, Gerson entende como a prática de esportes tem ajudado na reabilitação e, por causa disso, faz questão de estar em diversas programações da Afresp.

“Os esportes, como um todo, auxiliam demais na recuperação, tanto que é altamente recomendado para a recuperação desse tipo de deficiência. As partes distais, a mão e o pé, precisam de terapia mais fina. Mas eu me sinto muito bem praticando as atividades disponíveis na Afresp, isso para mim é ótimo, tanto física quanto psicologicamente. Fazer isso, estar presente, ver a paisagem e a turma é algo muito legal. Para o psicológico é fantástico, e para o físico, eu tento tirar o maior proveito das coisas. Reaprender a andar sozinho, com autonomia, sem a muleta e sem precisar me apoiar na Marta é o ideal para mim. É o meu foco, caminhar sozinho, isso vai me ajudar muito.”

Ele faz questão de ressaltar como o trabalho do setor é fundamental e vai muito além de promover exercícios físicos, é uma ferramenta de integração e qualidade de vida, especialmente para quem já está aposentado: “A Afresp Esportes é fundamental e não poderia estar em melhores mãos. O pessoal pensa com cabeça de esportista para promover as atividades, sempre com muito carinho e incentivo. Sabendo fazer, tendo orientação correta, o profissional correto, é perfeito. Então, a Afresp Esportes está de parabéns!”, elogia o auditor.

Com a experiência de quem venceu as piores estatísticas e contrariou o prognóstico negativo, ele deixa um recado bem-humorado sobre a importância de se manter em movimento em qualquer fase da vida:

“Se conselho fosse bom, a gente vendia, não dava de graça! (risos) Mas eu creio que ociosidade é um erro. Todo mundo deveria praticar esportes, tanto os mais jovens quanto os mais velhos. Coisas leves e saudáveis para a longevidade ser conseguida. Essa é a meta, minha e da minha esposa também. O nosso lema é esse: vida longa com qualidade de vida.”

Gerson e Marta marcam presença na Caminhada da Fé.

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